Última verificação: 20 de agosto de 2026.
Pedasí, na ponta da península de Azuero, é onde o Panamá guarda a “Tuna Coast” — atum, marlim e o lendário roosterfish a poucos quilômetros da praia, com uma fração dos barcos que disputam mar no resto da América Central. Este guia junta o que interessa de verdade: preços reais de charter com nome e contato, a logística honesta (spoiler: não existe marina), e uma notícia que quase ninguém publicou em português — o Panamá reescreveu a lei da pesca esportiva em 2026, e ela muda o seu dia de pesca.
Por que Pedasí é “a” costa do atum
A própria Autoridade de Turismo do Panamá resume o argumento: por aqui quase não há tráfego de pesca esportiva — menos concorrência, mais peixe. O calendário oficial da região:
- O ano inteiro: roosterfish (pez gallo), pargo cubera e pargo jilguero;
- Atum yellowfin: abril a julho;
- Marlim negro: março, abril, agosto e setembro;
- Wahoo: setembro a dezembro;
- Bônus: baleias jubarte de julho a outubro (setembro é o auge) — a temporada delas cruza com a pesca.

Charters reais, preços reais
| Operadora | O quê | Preço (por barco) |
|---|---|---|
| Libélulas Pedasí | Charter de 6-7h (até 4 pescando), opção combinada com Isla Iguana | US$ 285-360 |
| Cap. Bayron Moscoso | Meio dia inshore (4h) / dia inteiro (8h) / offshore — até 3 pessoas, panga 24 pés | US$ 290 / 345 / 480 |
| FISH PEDASi (operação em inglês) | Pacote 5 dias de pesca + 6 noites com transfer e refeições | US$ 1.750-4.395 por pessoa (cai com o grupo) |
Aviso de quem pesquisou: circula por aí uma faixa de “US$ 450-650 o meio dia” publicada por agregadores — que contradiz os próprios anúncios deles. Os preços acima são de tabela dos operadores, com nome. A FISH PEDASi, aliás, tem credencial de verdade: dois recordes IGFA de 2023 saíram dos barcos deles (roosterfish de 144 cm e cubera de 83 lb).
A nova lei da pesca (o que muda para você)
Em 10 de junho de 2026 o governo publicou o Decreto Executivo nº 9, que reescreve a pesca esportiva no país — em vigor a partir de 10 de dezembro de 2026. Lemos o texto na Gaceta Oficial; o resumo prático:
- Foi de charter licenciado? Você não precisa de licença nenhuma. O cliente a bordo de barco de pesca esportiva turística autorizado fica coberto pelo carné do capitão — está escrito no decreto.
- Pesca por conta própria (barco alugado, de amigo, caiaque ou da pedra)? Aí sim: carné pessoal para estrangeiro custa B/. 20 (7 dias), B/. 60 (30 dias) ou B/. 150 (180 dias), emitido online pela ARAP. Multa por pescar sem ele a partir de barco: B/. 100.
- O roosterfish virou pesca-e-solta obrigatória — junto com marlins, pez vela, espadarte e tarpon. A foto sai, o peixe volta. Para a espécie-símbolo de Pedasí, é uma mudança histórica (e boa para o futuro da pescaria).
- Proibido vender o pescado — inclusive “doar” para o restaurante preparar virou zona cinzenta: a multa por comercializar é de B/. 30 por libra e pega também quem compra. Tubarões e raias: captura proibida, ponto.
- Limite de retenção no charter: 15 exemplares por barco/dia (25 na pesca esportiva própria), com registro digital de cada peixe retido.
Até 10 de dezembro vale o regime antigo de 2012 — na prática, hoje o charter resolve a papelada por você. Depois, a regra é essa aí em cima, preto no branco.
Logística sem filtro
- De carro: ~325 km da capital pela Interamericana via Chitré e Las Tablas — conte 5 horas honestas (o transfer profissional da FISH PEDASi assume 4h30). Saindo de Panamá Pacífico o tempo é praticamente o mesmo, com um bônus: você já está do lado oeste do Canal e escapa do gargalo da ponte na saída.
- De avião: a Air Panama voa para Pedasí domingos, quartas e sextas (tarifas só no balcão/site); alternativa é voar a Chitré (~25 min, na faixa de US$ 140-150 o trecho em agregadores) e rodar 1h.
- Onde ficar: Libélulas Pedasí (US$ 45-50/noite, tabela oficial) e Casa Loma (US$ 50-65, com café e piscina) seguram a faixa econômica; Casa Lajagua e Casita Margarita aparecem em agregadores na faixa de US$ 82-95.
- Isla Iguana no combo: entrada de B/. 10 para estrangeiro adulto (aposentado paga B/. 2, menor de 12 não paga) — e atenção: o pagamento é online e antecipado no site do MiAmbiente, com comprovante na chegada. Teto de visitantes por dia e saída obrigatória às 15h.

A parte que ninguém conta
- O paradoxo do vento: a “melhor época” (dezembro-abril, seca e ensolarada) é exatamente a mais ventosa — fevereiro tem média de 21 km/h, e à tarde o mar fica mexido. Saída ao amanhecer é obrigação, e quem enjoa sofre em janeiro. O mar mais manso do ano é o de junho — que ainda pega o fim da temporada do atum. Casar os dois é o segredo.
- Não existe marina. O embarque é com os pés na areia em Playa El Arenal, a ~3 km da vila. Sem píer, sem cafeteria. E o “offshore” do mercado local é em panga de 24 pés com motor 60 HP — barco honesto e capaz, mas quem espera flybridge com cabine climatizada precisa recalibrar (ou fechar pacote com operação maior).
- Custos que não estão no preço: gorjeta de 10% (costume local, dito pelos próprios operadores), vara extra US$ 35, tackle de jigging US$ 50/dia (e os jigs são seus — perdeu, pagou), comida e bebida quase nunca inclusas (o cooler com gelo vem vazio), transfer à parte — e não há Uber em Pedasí. Sinal de 15% e cancelamento grátis só até 7 dias antes.
- A língua de bordo é o espanhol. A exceção declarada é a FISH PEDASi (“a operação em inglês da vila”, nas palavras deles). Para brasileiro, o espanhol de barco resolve — mas combine tudo por WhatsApp antes, por escrito.
- Leve documento: pela lei nova, o capitão registra a identidade e nacionalidade de cada passageiro. Passaporte ou cédula na mochila.
Veredito honesto
Pedasí entrega o que promete: peixe grande, mar sem multidão e preço honesto — um dia inteiro de charter por US$ 345 por barco é imbatível no continente. As condições: acordar cedo, aceitar a panga e a areia no lugar da marina, e respeitar a lei nova (que, verdade seja dita, protege exatamente o que faz o lugar valer a pena). Se a agenda deixar, mire maio-junho: fim do atum, mar de espelho e a vila ainda vazia. Para entender o contexto econômico do país antes de vir, nosso Panamá em números ajuda; e se a ideia é esticar o roteiro de frutos do mar na capital, o Mercado de Mariscos é parada obrigatória.
